quinta-feira, 16 de abril de 2009

Entregue a um garçon gentil

Rio de janeiro, maio de 2008.


Salve camarada!

Eu cá estou. Aqui do outro lado após a curva do mar.

Penso estar à beira dele e livre para velejá-lo,

navegando para qualquer lugar, que seja.

Mas embora pense, penso apenas, nada posso.


Meu coração embargado, distante acelera: quer partir mais não pode.

As fronteiras oferecem resistências ainda maiores que a geografia.

Pois bem, os mares, as longitudes, as latitudes, os abismos: nada disso me impede.

Acredito que para o ato de ir e vir basta revezar os pés entre chão e o ar.

Basta manter os passos entre o equilíbrio e o desequilíbrio do corpo inerte.

Basta esticar as pernas. Além!

------------------Basta deixar de estar em algum lugar

----------------------------------------para em seguida estar em outro.

Bastar é desejar.

Viajar é fazer a trouxa.

Eis minha questão:

Embargo, claro ou não, o que sei é que não tem sido fácil circular.


Uma garantia na alfândega, há de se ter.

Há de se pagar passagem,

há de se ter dólares pra gastar,

há de se ter lugar para ficar,

há de se falar outra língua,

há de si!


Meu corpo pedi abrigo em Cuba.

Tu terias um lugar para eu ficar?

Tua casa se abriria, janelas, a porta da rua.

Tua vista enquadraria o meu olhar e assim eu enxergaria além...

E os limites me impostos aí dariam a mim alguma vaga idéia de liberdade.


Um abraço companheiro,

Até Logo!

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